Mercado Imobiliário — Tendências
Bancos cortaram crédito à produção em 49% e a Selic ainda está em 14,5%: por que 2026 é o ano em que sua carteira de financiamento direto precisa estar pronta para virar funding via CRI
Por Vinit, em 10/06/2026
Publicado em 11 de maio de 2026
**Resumo:** o funding tradicional do crédito imobiliário está mudando de eixo. A poupança encolheu, o SBPE segue dependente dela e o crédito bancário para produção caiu quase pela metade. Ao mesmo tempo, LCI e CRI explodiram como nova base de funding do setor. Para a construtora que faz financiamento direto, isso significa uma coisa muito concreta: a sua carteira de recebíveis deixou de ser apenas “contas a receber” e virou um ativo financeiro que pode (ou não) ser securitizado em 2026. A linha que separa as duas situações é a qualidade dos dados.
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## O cenário que ninguém pode mais ignorar
Em maio de 2026, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto e levou a taxa básica a 14,5% ao ano — o segundo corte seguido, mas ainda em um patamar alto, em meio a inflação acima do teto da meta. Para o gestor de uma construtora, isso significa que o crédito bancário continua caro e seletivo, mesmo com a tendência de queda.
E o impacto já apareceu nos números: entre janeiro e abril de 2025, o volume de financiamento bancário para empresas do setor da construção caiu cerca de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior. Quase metade. Em paralelo, a Abecip projeta que o financiamento imobiliário total deve crescer 16% em 2026, com o SBPE chegando a R$ 180 bilhões e o FGTS a R$ 145 bilhões.
A leitura honesta é essa: existe mais crédito para o comprador final do que para a produção. Quem constrói com capital próprio, repasse e financiamento direto está, na prática, financiando o cliente com o próprio fluxo de caixa — e sem a almofada bancária de antes.
## A poupança encolheu, a LCI tomou o lugar
Em 2025, o saldo da poupança caiu 0,9% e fechou em R$ 766 bilhões. A representatividade dela no funding total do crédito imobiliário caiu de 32% para 29%. Não é um detalhe contábil: é a infraestrutura financeira do setor mudando de andar.
Quem ocupou o espaço foi a LCI. O estoque ultrapassou R$ 427 bilhões e cresceu quase 15% em 2024, tornando-se a principal fonte de novos financiamentos habitacionais. Os CRI também subiram de 9% para 10% no funding total. O estoque de CRI já está perto de R$ 250 bilhões, segundo a Anbima, e o primeiro trimestre de 2026 fechou com R$ 192 bilhões em emissões de crédito privado, alta de 22,5% sobre o trimestre anterior.
O recado do Ministério das Cidades e do próprio Banco Central é coerente com esses números: o novo modelo de crédito imobiliário, anunciado em 2025, vai reduzir gradualmente a dependência do funding subsidiado e estimular o uso de instrumentos de mercado — LCI, CRI, LIG. O compulsório bancário sobre a poupança deve ser zerado ao longo dos próximos dez anos.
## O que isso muda para a sua construtora hoje
Existem duas implicações práticas para quem faz financiamento direto.
**A primeira é defensiva.** Com menos crédito bancário para produção, sua carteira de recebíveis pós-chaves virou o principal ativo líquido que sobra na sua mão. Se ela está mal gerida, você está deixando dinheiro parado, com risco de inadimplência subindo silenciosamente e sem fôlego para o próximo lançamento.
**A segunda é ofensiva.** A mesma carteira pode ser usada como funding. Construtoras e incorporadoras já vêm usando CRI lastreado em recebíveis pulverizados para antecipar fluxo de caixa, captar a custo competitivo e diversificar funding fora do sistema bancário. A operação clássica: uma securitizadora “empacota” os contratos de financiamento direto, emite o CRI no mercado, e a construtora recebe à vista (com deságio) ou em fluxo programado.
A diferença é que essa operação não acontece se a carteira for uma planilha.
## Por que carteira em planilha não vira CRI
Securitizar uma carteira de recebíveis exige due diligence. A securitizadora, o estruturador (banco ou XP/Inter/BTG da vida), o agente fiduciário e a auditoria vão pedir, entre outras coisas:
- Contrato a contrato, com cláusulas e índices padronizados (INCC ou IPCA, juros nominais, multa, mora).
- Histórico completo de pagamentos por unidade, sem buracos.
- Régua de cobrança documentada e idade da inadimplência por safra.
- Conciliação bancária com cada boleto e cada repasse.
- Aging por contrato, não “média da carteira”.
- Garantias (alienação fiduciária registrada) amarradas a cada CPF e a cada matrícula.
Tudo isso precisa ser entregue em formato auditável, em poucos dias, e atualizado mensalmente durante a vida do CRI. Carteira em planilha — espalhada em abas, com versões de Excel diferentes, sem trilha de quem alterou o quê — não passa por essa peneira. E mesmo quando passa, o deságio cobrado pelo mercado vai ser muito maior, porque o risco operacional aparente é alto.
Em outras palavras: não é só uma questão de organização. É uma questão de quanto a sua carteira vale na mesa do investidor.
## O que precisa estar “securitizável” na prática
Se você quer chegar em 2027 com a opção real de captar via CRI, ou pelo menos com a carteira pronta para uma cessão de crédito mais simples, o ponto de partida é o seguinte:
- **Cadastro único do contrato** com índice de correção (INCC/IPCA), data-base, juros e regra de mora padronizados.
- **Geração automática de boletos** com baixa por retorno bancário, sem digitação manual.
- **Régua de cobrança automática** com gatilhos em D-3, D+1, D+15, D+30, D+60 — e log de toda comunicação enviada.
- **Conciliação diária** entre boleto, banco e contrato.
- **Repasse bancário e alienação fiduciária** controlados no mesmo sistema da carteira, não em planilha separada.
- **Relatório de aging por contrato e por safra** disponível em qualquer data, sem fechamento manual.
- **Trilha de auditoria** de quem alterou cada parcela, com data e motivo.
Esses sete pontos não são exigência só de securitizadora. São a higiene mínima de uma carteira de financiamento direto que pretende existir em 2026 com Selic alta e crédito bancário seletivo. A diferença é que, quando você os tem, securitizar passa a ser uma opção estratégica — e não uma operação que sua construtora descarta antes de começar porque “seria muita coisa para organizar”.
## Conclusão: 2026 é o ano de tirar a carteira da planilha
A leitura macro é clara: o funding do crédito imobiliário está migrando do compulsório subsidiado para os instrumentos de mercado. LCI e CRI viraram protagonistas. A poupança perdeu peso. O crédito bancário à produção caiu 49% e a Selic em 14,5% ainda não foi suficiente para reabrir o pacote bancário para construtoras médias.
Quem faz financiamento direto está sentado em cima do ativo certo no momento certo. Mas só se ele estiver pronto para ser olhado de fora — por uma securitizadora, por um banco, por uma due diligence. Carteira em planilha não passa nesse exame.
O ERP Vinit é construído justamente para isso: organizar a carteira de recebíveis de financiamento direto da construtora em um padrão que serve para o operacional do dia a dia (cobrança automática, conciliação, repasse) e também para a hora em que essa carteira precisa ser apresentada como ativo financeiro. Se essa decisão está no seu radar para 2026, vale conhecer: [https://www.vinit.com.br/](https://www.vinit.com.br/).
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## Fontes
- Banco Central do Brasil — Decisão Copom maio/2026 (Selic 14,5%): [bcb.gov.br](https://www.bcb.gov.br/en)
- Agência Brasil — “Banco Central reduz juros básicos para 14,5% ao ano” (abr/2026): [agenciabrasil.ebc.com.br](https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/banco-central-reduz-juros-basicos-para-145-ao-ano)
- Abecip — “Financiamento imobiliário deve crescer 16% em 2026”: [abecip.org.br](https://www.abecip.org.br/imprensa/noticias/financiamento-imobiliario-deve-crescer-16-em-2026-projeta-abecip-valor-economico)
- Ministério das Cidades — “Novo modelo de crédito imobiliário”: [gov.br/cidades](https://www.gov.br/cidades/pt-br/assuntos/noticias-1/noticia-mcid-n-1680)
- CBIC — “Alternativas de funding podem acelerar a participação do crédito imobiliário no PIB”: [cbic.org.br](https://cbic.org.br/alternativas-de-funding-podem-acelerar-a-participacao-do-credito-imobiliario-no-pib/)
- Página1PB — “Construtoras: bancos reduzem financiamento em quase 50%”: [pagina1pb.com.br](https://pagina1pb.com.br/construtoras-bancos-reduzem-financiamento-em-quase-50/)
- Anbima — Certificados de Recebíveis Imobiliários (estoque e emissões): [anbima.com.br](https://www.anbima.com.br/pt_br/informar/ferramenta/mercado-de-capitais/certificados-de-recebiveis-imobiliarios.htm)
- Bloxs — “R$ 22 Bilhões em FIIs, R$ 192 Bilhões em Crédito Privado: 1T26”: [conteudos.bloxs.com.br](https://conteudos.bloxs.com.br/credito-privado-1t26-fiis-alocacao-imobiliaria/)
- Sienge — “Introdução ao CRI: como captar com inteligência e estrutura”: [sienge.com.br](https://sienge.com.br/blog/entenda-o-que-e-cri/)