<i>Mercado Imobiliário — Tendências</i>

O MCMV bateu 58% dos lançamentos — recorde da série. Na outra metade do mercado, 55 mil unidades vendidas em um trimestre, o banco é você

Por Vinit, em 11/09/2026

Publicado em 7 de setembro de 2026

O MCMV bateu 58% dos lançamentos — recorde da série. Na outra metade do mercado, 55 mil unidades vendidas em um trimestre, o banco é você
A CBIC divulgou os Indicadores Imobiliários Nacionais do 2º trimestre de 2026 e a manchete foi uma só: o Minha Casa, Minha Vida respondeu por **58% de tudo que foi lançado no país** — 62.129 das 107.161 unidades — a maior participação desde o início da série histórica, em 2019.

A leitura óbvia é a que todo mundo fez: o programa está puxando o setor. É verdade.

A leitura que quase ninguém fez é a que interessa a quem administra carteira própria: **o mercado formal se partiu em dois, e as duas metades têm modelos de financiamento completamente diferentes.** Em uma, quem assume o risco de crédito é a Caixa. Na outra, é você.

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## Os números, sem interpretação

Do relatório do 2º trimestre de 2026 (221 cidades, produção da Comissão da Indústria Imobiliária da CBIC com a Brain Inteligência Estratégica):

- **Lançamentos:** 107.161 unidades, queda de 1,3% sobre o 2T25. No semestre, 211,6 mil (-0,3%).
- **Vendas:** 113.676 unidades, alta de 5,3%. No semestre, 226.536 (+5,4%).
- **Oferta:** 355.290 unidades disponíveis em junho — 2,1% abaixo de março, mas **8,2% acima** de junho de 2025.
- **MCMV:** 58% dos lançamentos e **51% das vendas** (58.392 unidades).
- **Por região:** Norte 68% dos lançamentos no programa, Sudeste 66%, Nordeste 60%, Centro-Oeste 52% — e **Sul apenas 29%**.

Agora a conta que o relatório não faz por você. Se o MCMV lançou 62.129 e vendeu 58.392, o **restante do mercado** — médio padrão, alto padrão, tudo que está fora do teto do programa — lançou 45.032 unidades e **vendeu 55.284**.

Fora do MCMV, vendeu-se mais do que se lançou. Cerca de 10 mil unidades a mais em um único trimestre.

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## O que isso significa na prática

Duas dinâmicas opostas acontecendo ao mesmo tempo:

**Metade um (MCMV).** Cresce em volume, é financiada por crédito bancário subsidiado, e o risco de crédito sai do balanço da construtora no repasse. Recebível curto, previsível, padronizado.

**Metade dois (fora do programa).** Não cresce em lançamento, mas está **drenando estoque**. E aqui está o ponto: para vender 55 mil unidades num trimestre em que se lançou 45 mil, com Selic a 14% e taxa média de crédito habitacional entre 11% e 12% ao ano, a alavanca comercial não é preço de tabela. É **condição de pagamento**.

Entrada menor. Prazo maior. Parcela intermediária. Tabela própria até o habite-se. Financiamento direto no lugar do bancário, ou como ponte até ele.

Cada uma dessas negociações fecha uma venda hoje e **abre um contrato de 60, 120 ou 180 parcelas** que alguém vai ter que administrar pelos próximos dez anos.

E tem um detalhe regional que não é detalhe: no Sul, 71% dos lançamentos estão fora do MCMV. É a região onde a carteira própria pesa mais no balanço — e, não por acaso, onde mais se vê construtora com uma planilha de dois mil contratos rodando no notebook de uma pessoa só.

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## O crédito bancário está bombando — só que não para o seu cliente

Vale dizer, porque o contra-argumento vem rápido: o SBPE está em um dos melhores momentos da história. Segundo a Abecip, os financiamentos com recursos da poupança somaram **R$ 115,5 bilhões de janeiro a julho de 2026, alta de 36,3%** sobre o mesmo período de 2025, com julho batendo recorde para o mês (R$ 20,96 bilhões).

Só que esse crédito tem endereço: cliente com renda comprovada, score limpo, imóvel dentro do enquadramento. E ele convive com uma poupança que segue com captação líquida negativa — **-R$ 7,0 bilhões só em julho** —, o que significa funding cada vez mais caro e cada vez mais seletivo.

O comprador que não entra no MCMV e não passa no crivo do banco não some do mercado. Ele senta na sua mesa e pergunta em quantas vezes você parcela.

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## A consequência que aparece 18 meses depois

Ninguém decide, numa reunião, "vamos virar uma financeira". Isso acontece por acumulação, uma venda de cada vez.

O padrão é sempre o mesmo:

1. O comercial flexibiliza a condição para bater a meta do trimestre.
2. A carteira cresce 30%, 40%, 60% em um ano — sem que ninguém tenha aprovado uma política de crédito.
3. O financeiro absorve o crescimento na base do improviso: mais uma aba na planilha, mais uma hora de hora extra, mais um boleto emitido na mão.
4. No mês em que a inadimplência sobe dois pontos, descobre-se que **não existe aging, não existe régua de cobrança, não existe saldo devedor confiável** — só uma soma que ninguém consegue auditar.

O dado da CBIC está te avisando com 18 meses de antecedência: **a sua carteira vai crescer.** A pergunta é se ela vai crescer dentro de um sistema ou dentro de um arquivo.

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## Quatro perguntas antes do próximo lançamento

Se a sua construtora ou loteadora está na metade não-MCMV do mercado, responda antes de aprovar a próxima tabela de vendas:

- **Qual é a política de crédito?** Existe critério escrito para aprovar comprador informal, ou cada vendedor decide na conversa?
- **Quanto a carteira cresce se este lançamento vender 100%?** Em número de contratos, não em VGV. Contrato é o que gera trabalho.
- **Quantos contratos por pessoa o financeiro consegue administrar hoje?** Se a resposta é "não sei", a resposta real é "estamos no limite".
- **Se um cliente ligar agora, em quanto tempo você diz o saldo devedor atualizado dele?** Trinta segundos é um sistema. Três dias é uma planilha.

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## O que muda com um ERP vertical de carteira

Um ERP de obra controla a produção. Um ERP financeiro fecha o mês. Nenhum dos dois sabe o saldo devedor vivo de um cliente específico do seu financiamento direto — porque não foram feitos para isso.

O ERP Vinit foi. Ele existe para a metade do mercado em que a construtora é o banco: contrato com tabela de amortização própria (SAC ou Price), reajuste em massa por índice, emissão e baixa automática de boleto e Pix, régua de cobrança antes do vencimento, aging da carteira em faixas, portal do cliente para segunda via e saldo devedor, e repasse bancário quando o cliente finalmente é aprovado no financiamento.

O recorde do MCMV não é uma notícia sobre o MCMV. É uma notícia sobre **o que sobrou para você financiar** — e sobre quanto tempo mais essa carteira cabe numa planilha.

**[Conheça o ERP Vinit](https://www.vinit.com.br/)** e veja como construtoras e loteadoras estão administrando carteiras de financiamento direto que dobraram sem dobrar o time financeiro.

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## Fontes

- CBIC — *Indicadores Imobiliários Nacionais, 2º trimestre de 2026* (Comissão da Indústria Imobiliária / Brain Inteligência Estratégica): [cbic.org.br](https://cbic.org.br/vendas-de-imoveis-avancam-54-no-primeiro-semestre-e-mcmv-registra-participacao-recorde/)
- CBIC — relatório completo em PDF: [ind2t2026cbic.pdf](https://cbic.org.br/wp-content/uploads/2026/08/ind2t2026cbic.pdf)
- Diário do Comércio — *Mercado imobiliário tem recuo de 1,3% em lançamentos e alta de 5,3% nas vendas no 2º tri*: [diariodocomercio.com.br](https://diariodocomercio.com.br/economia/mercado-imobiliario-recuo-vendas/)
- Revista Construa — *MCMV bate recorde em 2026 com 58% dos lançamentos no 2º trimestre*: [revistaconstrua.com.br](https://revistaconstrua.com.br/imoveis/mcmv-recorde-lancamentos-vendas-imoveis-2026/)
- Abecip — dados de financiamento imobiliário SBPE de julho de 2026: [prognum.com.br](https://prognum.com.br/financiamentos-imobiliarios-com-recursos-do-sbpe-totalizam-r-2096-bilhoes-em-julho-informa-a-abecip/)

*Nota metodológica: o recorte "fora do MCMV" (45.032 lançamentos e 55.284 vendas no 2T26) é uma conta derivada dos totais publicados pela CBIC menos as unidades enquadradas no programa, e não consta como linha própria no relatório original.*

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